O Julgamento

” Você tem o direito de falar o que pensa mas não tem o direito de julgar quem não conhece! Liberdade de expressão é um direito de todos mas em vez de falar, então faça algo que preste. (Chorão – Vocalista do Charlie Brown Jr.)”

“Não fale, não conte detalhes, não satisfaça a curiosidade alheia. A imaginação dos outros já é difamatória que chegue. (Martha Medeiros)

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Havia numa aldeia um velho muito pobre, mas até Reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco.
Reis ofereciam quantias fabulosas pelo cavalo, mas o homem dizia:
– “Este cavalo não é um cavalo para mim, é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?” O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo.
Numa manhã descobriu que o cavalo não estava na cocheira. A aldeia inteira reuniu e disseram: “Se velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!”
O velho disse: “Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o facto; o resto é julgamento. Se se trata de uma desgraça ou de uma bênção, não sei, porque este é apenas um fragmento. Quem pode saber o que vai se seguir?”
As pessoas riram do velho. Elas sempre souberam que ele era um pouco louco. Mas quinze dias depois, de repente, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso, ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente as pessoas se reuniram e disseram: “Velho, você estava certo. Não se trata de uma desgraça, na verdade provou ser uma bênção.”
O velho disse: “Novamente vocês estão se adiantando. Apenas digam que o cavalo está de volta…quem sabe se é uma bênção ou não? Este é apenas um fragmento. Você lê uma única palavra de uma sentença – como pode julgar todo o livro?
Desta vez as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente sabiam que ele estava errado. Doze lindos cavalos tinham vindo…
O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um cavalo e fracturou as pernas. Novamente as pessoas se reuniram, e mais uma vez julgaram. Elas disseram: “Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu as pernas, e na sua velhice ele era seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca.”
O velho disse: “Vocês estão obcecados por julgamentos. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fracturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma bênção. A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado.”
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra , e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, porque era aleijado. A cidade inteira estava chorando, lamentando-se porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria. Elas vieram até o velho e disseram: “Você tinha razão, velho – aquilo se revelou uma bênção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos foram-se para sempre.”
O velho disse mais uma vez: “Vocês continuam julgando. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi. Mas somente Deus, a totalidade, sabe se isso é uma bênção ou uma desgraça.”
Não julgue, porque dessa maneira jamais se tornará uno com a totalidade. Você ficará obcecado com fragmentos, pulará para as conclusões a partir de coisas pequenas. Quando você julga, você deixa de crescer. Julgamento significa um estado mental estagnado. E a mente sempre deseja julgar, porque em um processo é sempre arriscado e desconfortável.
Na verdade, a jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina e outro começa, uma porta se fecha e outra se abre. Você atinge um pico; sempre existe um pico mais alto. Fique satisfeito de viver o momento e nele crescer…somente aqueles são capazes de caminhar a totalidade.

Texto Redigido escutando a Song: Baader – Meinhof Blues by Legião Urbana

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